Grupo Resistência CTI

“A gente vai amadurecendo todo dia, ou não. A autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser. Não ocorre em data marcada…centrada em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade, vale dizer, em experiências respeitosas da liberdade”.            Paulo Freire.

 Diálogo. Essa é a palavra que vem à mente quando me lembro do grupo Resistência CTI, durante a sua residência artística nos Seminários de Estudos Teatrais, uma das ações do Projeto Artes Cênicas em Extensão. Situada no bairro de Austin, no município de Nova Iguaçu, a companhia surge a partir de um projeto promovido pela ONG Somos 1, implementado nas escolas públicas da região no ano de 2007. Em 2009 contemplados por um edital da Casa da Moeda do Brasil, através do projeto PAPEC – Programa de Acesso Pleno a Educação Cidadã e do CTI –  Centro de Teatro Integrado, com cursos nas áreas de teatro, música, cenografia, rodas de leituras e outras atividades culturais.

Após o término do incentivo do projeto, foram mantidas as atividades nas escolas por intermédio do projeto Horário Integral, que resultou em festivais de teatro apresentados anualmente.

O Resistencia CTI é formado por Adriele Vieira, Alice Moura, Agatha Ferreira, Bruna Santana, Eduarda Lorrane, Erika Bernardo, Emanuel Paes, Jonny Erick, Kat Alves, Larissa Santos, Maurício Veilinger, Maria Clara, Monalisa Belarmino, Pietra Canle, Rodrigo Medeiros e Silas Sena. Todos os integrantes participam das demandas do grupo, atuam, escrevem, ministram oficinas e colaboram na parte técnica dos espetáculos. O trabalho que desenvolvem busca uma equalização na participação dos integrantes no grupo. A intenção com esse estilo de estruturação é que todos contribuam e se integrem de diversas maneiras nos projetos e ações desenvolvidos.

Há em seu repertório espetáculos que consolidam o desejo de uma construção coletiva e colaborativa, para um teatro político, com o intuito de utilizar o fazer teatral para aguçar o distanciamento, o pensamento, a autonomia e a reflexão sobre política e sociedade. Seguem uma pesquisa de trabalho que compartilha dos mesmos conceitos que pensadores como Augusto Boal e Paulo Freire.

Entre Olhares; Orfeu de Barro; Libertary; Tomates; Filhos da Resistência; Incendiária, A Infanticida Marie Farrar (este último baseado em poema de Bertolt Brecht), Celas e Deixa Tirar são os espetáculos que compõe o seu repertório. Estão, atualmente em processo de criação do próximo trabalho, Arquivo 64/16. Lidando com as dificuldades que a maior parte dos grupos e coletivos lidam, ao persistirem no fazer teatral a concretização dos trabalhos é resultado da contribuição de todos os integrantes para o custeio e produção dos espetáculos.  

A atual sede do grupo era um posto de saúde que estava esquecido pelo poder público. Em 2013 passaram a ocupar o local transformando-o em sede. O CTI reescreve não só o espaço físico, mas inaugura um espaço fomentador da arte, do pensamento e do debate. Como um ato de resistência ocupam o que estava abandonado, transformam por iniciativa própria e adaptam para que seja o local de seus encontros. O que outrora não tinha serventia, passa a ter quem o ocupe e o aproveite com uma nova proposta. Ousadia necessária para os que tem desejo de virar o jogo, abandonando um comportamento passivo.

“A autonomia vai se constituindo na experiência de várias, inúmeras decisões que vão sendo tomadas”.

                                                Paulo Freire.

Pensar fora da caixa é não permitir mais que sejamos “objetos” de manuseio alheio. O pensador autônomo é autor de sua própria história, não há quem escreva melhor do que ele seus caminhos. E esses jovens artistas, junto do grupo, buscam um pensamento que incite o debate como forma democrática e libertadora, sendo deliberadamente criativos e autênticos.

Em sua residência artística nos Seminários de Estudos Teatrais propuseram jogos e exercícios que conduziam os participantes a um trabalho de concentração e imaginação. Para que essas experimentações fossem possíveis se instaurou uma atmosfera de conexão com os envolvidos no jogo. O silêncio era perceptível, os olhares buscavam seus cumplices para que houvesse fluidez e o jogo ganhasse mais ritmo. A aula que sucedeu a residência artística, ministrada pela professora Dra. Sylvia Heller, conservou essa direção da concentração e do jogo.

“Me movo como educador porque, primeiro, me movo como gente”

                                        Paulo Freire.

Como mencionei antes, a oficina ministrada foi conduzida de maneira coletiva entre os integrantes do CTI, que se revezavam no comando das orientações para cada proposta. Todas as atividades realizadas pelo grupo são sempre coletivas e pertencentes a todos.          Não há centralizações de saberes mas, sim, atividades que provoquem no outro o desejo  de propor, de entrar no jogo de forma ativa. Isso é ser provocado para estar dentro atuando. Pensando sobre aqueles que querem pensar por você. Agindo sobre o que age sobre você.

 

Sheila Azevedo

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