Queimados Encena

 

Nesse ano, diferente dos anteriores, a proposta é que os encontros sejam ministrados pelos Grupos e Cias que participam dos Seminários Teatrais. A partir daí um convidado ou professor elabora o próximo encontro baseado no que ele pode ver e participar. E a Cia Queimados Encena abriu os trabalhos contando sua trajetória, propondo exercícios e jogos cênicos.

Formada em 2003, no município de Queimados, por alunos de cursos e oficinas de teatro ministradas por Leandro Santanna, fundador e diretor artístico da companhia. Além dos espetáculos, cursos, oficinas e shows que acontecem na sede da companhia ainda são desenvolvidos diversos projetos como o Música Comentada, Sarau Autoral, Cine Marapicu e Roda de Leitura Dramatizada.

Uma das propostas trazidas por eles foram as possíveis histórias sobre a origem do nome da cidade de Queimados.

“ Doentes do Mal de Lázaro (hanseníase) vivem em um leprosário na Estrada dos Lazaretos, e quando morrem, como de costume seus corpos e todos os seus pertences são queimados nos fundos do local. ”

“ Tropeiros, no caminho da estrada do ouro resolvem fazer parada no vilarejo conhecido como Pouso dos Queimados, lugar com grande produção de laranjas que ocupam quase toda a região sobretudo os morros que ardem em chamas no período da colheita. ”

E guiados por infinitas possibilidades que permeiam a memória de pertencimento a um local, fomos convidados a reescrever, recriar e contar através do teatro não só as memórias da cidade que parece esquecida mas as memórias de cada um do coletivo encontraram espaço e puderam fomentar o imaginário dos que ali estavam cedendo por algumas horas seus ouvidos, sua atenção e imaginação. O olhar sobre o lugar. Temos muito para compartilhar, o mais importante é a possibilidade da troca.

Quando uma história ganha espaço no outro ela já não pertence mais a quem criou. Pertencerá ao imaginário de quem as recebeu. O teatro é capaz de recontar as histórias. Foi através de um exercício que por várias vezes, fui alcançada, pela mesma sensação. Explicarei melhor! Em um determinado momento todos escreviam trechos de situações ou fatos que estavam ligados a história do seu bairro. E de forma aleatória eram trocados esses escritos (sem detalhes de quem havia escrito ou do onde aconteceu) e uma pessoa lia para a outra pessoa que escrevia os pontos principais da história e os gestos que a pessoa fazia ao contar.

A sensação que me referi acima e que gostaria de compartilhar nesse texto, foi quando algumas situações eram recontadas (por quem não as conhecia como eu), mas que de certa forma eram estranhamente minhas. Tocaram-me em um grau que enquanto ganhavam forma na boca do interlocutor, reviraram minhas recordações que entre muitas variações e sentimentos cheguei a sentir cheiro de terra molhada pela chuva de verão vindas das lembranças de um período da minha infância.

Recontar é escrever. Dar sua assinatura a algo ou alguma coisa é ser autor ou coautor. Todos nós, por mais ingênuo que pareça temos palavras que devem ser compartilhadas com o mundo. Traduzidas por letras tatuadas num ”papel de pão” que seja! Mas não se deve impedir o “eu autor” de expelir o que permeia o seu imaginário. O exercício da “autoria”.

http://queimadosencena.com.br/

Sheila Azevedo

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