Entrevista com a Cia. de Arte Popular

 

O que é o popular na concepção da Cia de Arte Popular?

As coisas cotidianas realizadas pelo povo e que o povo entende. Sem requinte, sem rebuscamento. O nosso popular é reprodução das histórias que ouvimos e/ou vivenciamos. Sentimos que acontece a comunicação porque falamos o que vem de toda gente e isso acaba voltando pra nós nesta mesma forma. Motocontínuo de comunicação. Somos todos nós, quando olhados no espelho de forma mais apurada, deixando a alma exposta. Nosso dia-a-dia, histórias e “causos”, tristezas e alegrias, glórias e percalços, sotaques e silêncios, lendas e festas.
Quais as referências do grupo que permeiam as criações da Cia?

Os cordéis, os contos populares, histórias passadas de geração em geração de forma oral, as canções populares, as festas e folguedos, as folias, os costumes populares, outros grupos de teatro, dança, circo e de música.
A cada projeto convidamos um diretor que é escolhido pelo grupo a partir da observação de seus trabalhos anteriores.

Ao ouvir os outros grupos falarem no projeto, percebo como é importante a conexão entre os grupos da baixada. O que é feito para que essa rede se fortaleça? E como a Cia. De Arte Popular entende a importância dessa rede?

As reuniões da Rede Baixada Encena; a troca de experiências entre os grupos; a proposta de ocupações de espaços culturais com estes grupos, como por exemplo a ocupação na Biblioteca Parque em maio deste ano, a Mostra Baixada Encena em 2015, a ocupação do Teatro Glauce Rocha em maio de 2016, a circulação nos SESCs da Região em abril e outubro deste ano; a própria participação dos grupos no Seminário da UNIRIO em 2015 e 2016; a divulgação dos trabalhos dos grupos em rede, um divulgando e promovendo o trabalho do outro.

A proximidade mantém a força dos grupos, um apoiando o outro. A troca de experiências, provoca a “pororoca cultural”, onde os grupos se juntam, ou fazem projetos conjuntos, somando seus valores e vencendo as barreiras. Com este movimento em rede vencemos as dificuldades comuns de nossa região com mais facilidade. Mesmo sem termos um espaço consolidado na grande mídia, aumentamos a nossa capacidade de divulgação e ampliamos a nossa visibilidade. Consideramos de suma importância também a observação do trabalho alheio que faz com que nos cobremos mais e busquemos mais qualidade e aprofundamento na pesquisa de nossa linguagem própria.

Eu percebo que os espetáculos da Cia são realizados tanto em palcos italianos quanto em praças e na rua, como vocês lidam com essa flexibilidade do espaço? Há alguma adaptação do espetáculo?

Os espetáculos, ao serem concebidos, já tem esta característica, estar em qualquer lugar com a mesma energia e proposta de encenação. Entendemos que a quarta parede não deve existir em nenhum espaço.

O grupo possui encontros regulares? O que é feito nesses encontros?

Sim, nos encontramos semanalmente. Falamos sobre agenda, possibilidades de trabalho, assuntos administrativos, leituras, preparação e ensaios.

Durante esses anos de trajetória é perceptível um caminho de uma linguagem, como o grupo observa o desenvolvimento da linguagem proposta?

Observamos uma apropriação maior do que nos propusemos no início e, além disso, a cada novo trabalho, inclusive pelo convite aos diretores, novos atores, etc, estamos sempre acrescentando novos elementos ao trabalho, seja na dramaturgia, no visagismo, na música. A cada trabalho procuramos ampliar nossa pesquisa e nosso olhar sobre nós mesmos, sobre outros grupos e trabalhos, e sobre as histórias que queremos contar no palco.

Por: Kailani

 

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